The Living Machine – Portugês

No dia primeiro de dezembro de 2014 eu tive a oportunidade de participar de um larp/teatro imersivo chamado The Living Machine (A Máquina Viva). Eu fui convidado pelo Stuart Candy, que é um professor da Universidade OCAD do curso Future of Storytelling (Futuro da Contação de Histórias). Os alunos deles ciaram este show como projeto para o curso. A ideia do projeto é que as pessoas vão ao cinema para assistir um filme clássico em preto e brando e mudo, e o filme torna-se real.

Eu recebi o convite no mesmo dia do evento e era o último lugar disponível. Eu fui avisado para ir bem vestido e obviamente eu fui. O evento estava planejado para começar as nove da noite e cindo minutos após as nove as portas do teatro black box se abriram. Dentro do teatro em uma antessala havia uma recepção, onde eles confirmaram meu nome, recolheram meu paletó, entregaram o programa do show (ficha de personagem) e explicaram sobre as regras. Haviam três pessoas na recepção, todos eles bem vestidos como mordomos.

A ficha de personagem continha uma vaga informação sobre o personagem. No meu caso ela dizia: “O HANDYMAN (algo como o faz tudo): Você é o trabalhador comum do grupo. ‘Estou aqui para assistir um filme clássico e comer um pouco de pipoca’ é o tipo de coisa que você diria. Se houver um trabalho para ser feito, você é a pessoa certa e irá se voluntária entusiasticamente. Duct tape (o que nós chamamos de silver tape) é sua melhor amiga e inclusive você tem uma piada para isso – você grasna como um pato quando ela está em suas mãos; o que as maioria das pessoas não entendem (a pronuncia de Duct é muito similar a pronuncia da palavra pato em inglês Duck). O programa também continha informações sobre as regras: ser o personagem durante todo o tempo, respeitar o espaço pessoal das pessoas, criar e improvisar a partir da descrição do personagem, intolerância a abusos físicos ou mentais e as regras do break e cut. Na parte de traz do Programa havia uma sinopse chamada “Sobre A Máquina Viva” que explicava sobre o background e que para mim ficou um pouco confuso porque eu achava que estava falando sobre o jogo, mas eu vim a descobrir que era a sinopse do filme que iria ser assistido durante o larp. A sinopse do filme era: um cientista criou uma máquina viva (inteligente), mas isto era proibido e um detetive estava atrás dele. A máquina tinha a aparência física da falecida esposa do detetive. Junto com o Programa recebi uma pochete, do tipo para se colocar ferramentas. Eu acredito que a intenção do apetrecho era representar que meu personagem era uma pessoa da  plebe.

Dentro do teatro o ambiente era incrível, havia um bar com um garçom servindo refrigerantes, pretendendo que fossem bebidas alcoólicas, havia também um rapaz tocando cello e pipoca estava disponível. Após algum tempo de socialização entre pessoas, fomos solicitados que nos sentássemos para assistir ao filme. O filme era muito legal, ele era em preto e branco e mudo, mas todos os efeitos sonoros eram produzidos pelo cello ao vivo, um ideia genial. O filme realmente parecia um filme antigo, muito bem produzido. Então que de repente enquanto assistíamos ao filme a tela, que era feita de papel, foi rasgada pelos personagens do filme, e a Máquina Viva, o Detetive e o Cientista tornaram-se reais. Como um homem da plebe eu interpretei a situação como um novo tipo de filme ou teatro, e não que o filme havia se tornado real. Pouco tempo depois que o filme tornou-se real um homem começou a pedir ajuda para consertar a tela, e logo me voluntariei para o serviço. Me entregaram fita adesiva transparente e eu gastei longos minutos concertando a tela. Se não estou enganado o personagem que estava pedindo ajuda para concertar a tela era o diretor do filme.

Eu não tive muita interação com os “atores”  porque como personagem eu estava achando que tudo fazia parte do show. Em um determinado momento o cientista pediu minha ajuda, ele queria que sua criação entendesse emoções humanas e pediu para mim atar pessoas à Maquina Viva usando a fita, para que ela pudesse aprender mais sobre os humanos; eu devo ter atado cerca de cinco pessoas. Alguns minutos depois nós formos solicitados para sentarmos e assistirmos o fim do filme. No final todos os atores voltaram para o filme e um dos personagem também, não sei ao certo o por quê.

A experiência foi muito bacana, e gostaria de compartilhar minha opinião a respeito. Eu acho que foi muito curto, quando, como personagem, eu comecei a achar que o filme havia tornado-se real e não era parte do show o jogo terminou. A atmosfera criada foi sensacional, eu realmente gostei do som ambiente produzido pelo cello especialmente quando ele produziu os efeitos sonoros do filme. O filme realmente era muito bom em termos de produção e colaborou para a experiência em muito. Em geral o ambiente me lembra um pouco o espetáculo Sleep No More. Uma coisa que não vi utilidade nenhuma foi o meu apetrecho, eu acho que ele foi totalmente irrelevante, apesar que um outro personagem era um fotógrafo e recebeu uma camera para documentar o evento, o que foi bem bacana. Além disso minhas roupas não faziam jus ao meu personagem. A apresentarão prévia para a experiência foi vaga, o que eu acho que contribuiu para que as pessoas assumissem o papel de expectadores ao invés participantes. Acredito que a o programa/ficha de personagem deveria incluir duas ou três questões para cada participante responder como personagem. Respondendo perguntas como personagem ajuda as pessoas no processo de adentrar ao personagem e tornarem-se participantes da história. Estas perguntas também podem ajudar a organização a direcionar a experiência para onde eles desejam.

No começo deste post eu mencionei que o experimento era um larp/teatro imersivo porque eu descobri que haviam 6 finais pre-determinados, o que neste caso não considero que seja um larp “puro”. Dependendo de como a experiência se desenvolve os atores escolhem qual final eles irão interpretar. Outra razão que não considero o experimento como um larp “puro”” é pelo fato que os três personagens do filme, que tornaram-se reais, eram parte dos estudantes que criaram a experiência. Estes personagens podem ser entendidos como NPC (personagens não jogadores) que ajudam a experiência fluir.

Com certeza foi uma experiência sensacional e muito bem produzida! Eu realmente gostaria de parabenizar todas as pessoas envolvidas no projeto!

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: