Tribunal na OCAD 

No dia 4 de março de 2015 eu facilitei o jogo The Tribunal (O Tribunal), que foi o ganhador do The Larpwriter Challenge 2010 e foi escrito por J. Tuomas Harviainen. O jogo é sobre uma unidade do exército onde dois soldados foram acusados de roubarem pão, porém eles são inocentes. Eu escrevi sobre o jogo quando eu joguei-o, caso você não tenha lido de uma olhada aqui. Desta vez eu facilitei o jogo com algumas alterações em relação ao original. Antes de eu jogar este larp eu possuía a expectativa de um ambiente militar, mas isto não é parte do jogo. Eu lembro que quando joguei quando o oficial em comando entrou na sala algumas pessoas nem se levantaram. Pensando nisso, decidi por inserir elementos militares no jogo. O manual do jogo sugere que os jogadores representem uma cena com os dois soldados acusados; não tenho certeza quanto que isso realmente acrescenta ao jogo. O workshop que planejei possui três metas. Primeiro: criar um transição suave entre jogadores para personagens, e também mudar a visão dos jogadores em relação a mim: de facilitador para oficial em comando. Segundo: introduzir a atmosfera militar. Terceiro: treinar os jogadores em posições militares básicas. O workshop começa com a separação dos 12 jogadores em duas filas de 6 uma de frente para a outra. Enquanto eles olham para o parceiro a frente sugeri que pensassem sobre qual o tipo de relação eles possuem com o personagem a frente. A cada 30 segundos uma das filas mudava de posição e quando todas as possibilidades foram alcançadas separei as duas filas de 6 em outras duas filas de 3 e repeti o exercício. Basicamente cada jogador teve a oportunidade de ficar 30 segundos em frente de todos os jogadores e pensar sobre qual o tipo de relação que ele possui com cada personagem. No decorrer do exercício me tornei mais autoritário, me tornando menos facilitador e mais oficial em comando. A segunda parte do workshop foi o treinamento básico nas posições militares. Solicitei que os jogadores formassem 4 filas com 3 integrantes cada e instruí-los a como executar a posição de Atenção, aproveitando para corrigir os detalhes. A segunda posição instruída foi XXXXXX. Por fim instrui os jogadores que cada vez que entrasse na sala era esperado que eles estivessem em filas na postura de Atenção. Durante todo o tempo carreguei uma arma(de brinquedo) na cintura para criar a sensação de poder e opressão. Todas as vezes que eu entrei na sala todos corriam para formar as filas e quase todas as vezes eles demoram um bom tempo para se organizar propriamente o que foi punido com 10 polichinelos; durante todo o jogo os personagem fizeram pelo menos 120 polichinelos. Algumas vezes mandei personagem específicos cumprirem a punição devido a incompetência individual. Eu notei um padrão que ocorre durante todas as execuções deste larp: uma vez que os acusados são inocentes, o jogadores tendem a dizer que ninguém cometeu o crime. O jogo tem a intenção de falar sobre sistemas opressivos então decidi que durante as conversas particulares se um personagem não fornece um nome ele estaria falando o próprio nome. Esta pequena alteração criou um senso de injustiça, o que deixou os personagens furiosos e esta era minha intenção. Um dos personagem confessou o crime. Eu imaginei meu personagem como sendo um oficial externo convocado para conduzir o tribunal nesta companhia e claramente podia imaginar alguém assumindo a culpa para proteger a todos. Decidi continuar com as conversas para dar a todos a oportunidade de manifestarem suas opiniões a respeito. Águia, o último soldado com quem conversei particularmente, ficou furioso sobre colocar seu nome em risco caso ele(a) não fornecesse um nome. Quando ele voltou para a sala ele começou a reclamar e quase iniciou uma revolução. Apontei minha arma contra a cabeça dele  e ordenei que voltasse para seu lugar na fila, mas ele não me obedeceu e eu atirei nele. Outro jogador tentou agarrar meu braço mas acabou morto também. Ambos os jogadores foram carregados para fora e tiveram que esperar o jogo terminar. No final o personagem que confessou acabou sendo o responsável pelo crime de acordo com os votos. Ordenei que o Lobo algemasse o jogador(a) e a(o) levasse para fora. Expliquei que em dois minutos voltaria a sala e perguntaria abertamente quem cometeu o crime, logo eles poderiam mudar de opinião. Uma vez que dois personagens estavam mortos, quando voltei para a sala e perguntei quem cometeu o crime mais de um personagem respondeu o nome dos personagens mortos, o que me fez interromper a votação aberta e trazer o culpado para a sala. Ordenei que ele(a) ajoelhasse e o(a) executei com um tiro na nuca. Deixei os jogadores 2 minutos sozinhos com o corpo em frente deles. A parte mais impressionante do jogo foi quando voltei e todos os soldados ainda estavam em posição, eles não haviam se mexido. A grande maioria dos jogadores nunca havia jogado este larp e eles não acreditarão que o workshop e as formações não eram parte integrante do jogo original.

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